E se eu transformar isso em um blog?
- Lupa Charleaux
- 24 de jan.
- 3 min de leitura

"E se eu transformar isso em um blog igual no começo dos anos 2000?"
Essa foi uma pergunta que rondou a minha cabeça nos últimos meses.
Curiosamente, enquanto escrevia o rascunho deste post, vi um texto do "Boa noite, Internet" do Cris Dias incentivando exatamente as pessoas a terem um blog em 2026. Como ele disse, "Tente para você. Escreva para você, não para os outros".
Eu sempre quis transformar o Coisas Espalhadas em um portfólio sério sobre "música, cultura pop e tecnologia". Ao mesmo tempo, sinto falta de escrever sem pautas. Sem ligar para SEO, palavras-chave, lead... Toda aquela estrutura de escrita jornalística para internet.
Enfim, escrever sem seguir as regras que fazem parte do meu trabalho de segunda a sexta.
Escrever de formar livre e desencanada. Falar sobre "a vida, universo e tudo mais".
Digo isso porque não tenho nenhum talento para vídeo.
Gostaria muito de ser igual a Juvi Chagas ou outros criadores que ligam a câmera e saem comentando de forma simples e natural. Sei lá, eu sei que a câmera está gravando e travo. Algo que acontece desde a época em que eu estava na faculdade.
Por isso, quero apenas fazer como eu costumava escrever em 2005/2006.
Só ligar o computador e... escrever.
Algo que fiz bastante na época em que meus maiores problemas eram saber se ia conseguir um guitarrista para a minha banda ou se ia conseguir autorização para ir aos shows que eu gostava.
Muita coisa mudou de lá para cá.
Como diria o meme: "eu era um ser de luz, mas aconteceram coisas".

Hoje, sou um homem de 36 anos, casado, pai de duas gatas. Um profissional de comunicação descontente com os rumos que a área está tomando e com medo de ser substituído por alguma IA criada por uma big tech.
Sinto que sou o mesmo garoto de 15 anos, mas as ideias anarquistas fazem mais sentido hoje. Da mesma forma como muitas músicas antigas começaram refletir a minha rotina.
Por outro lado, o garoto de 30 e poucos anos tem que engavetar as ideias revolucionárias e se adaptar ao sistema para conseguir pagar as contas.
Esse garoto sente uma grande angústia ao ver o mundo pegando fogo e não poder fazer nada. Se sente impotente diante de inúmeras coisas que ele não imaginaria ver nem nos diversos livros e filmes distópicos que consumiu na pré-adolescência.
No fim do dia, ou lendo as notícias do dia a dia, a pessoa que sempre teve orgulho de ser um "outsider" se questiona se um dia irá se adaptar a esse mundo. Ou melhor: seria ele o problema ou o mundo que é uma "máquina doente que gera uma massa de merda"?
Como diria a Hayley Willams em "Glum":
A caminho dos trinta e sete anos
Eu não sei se algum dia vou entender
Que caralhos estou fazendo aqui
Alguém sabe se isso é normal?
Eu me pergunto, eu me pergunto
Espero conseguir saber que caralhos estou fazendo aqui. Decifrar o que é o 42.
Espero conseguir responder muitos questionamentos ou refletir sobre eles usando este espaço aqui.
Sempre desse jeito. Expulsando demônios. Escrevendo sobre o que pesa na minha cabeça e no meu coração. Às vezes de forma jornalística, às vezes como um estudante do colegial.
Bom, é isso... Talvez isso vire um blog (ou uma newsletter) sobre coisas espalhadas.
Sobre a vida, o universo e tudo mais. Ou talvez seja um blog sobre nada, igual "Seinfeld" era uma série sobre nada.
E talvez ninguém leia isso. Mas se você leu todo esse desabafo. Muito obrigado.
(Texto escrito ao som de: Hayley Williams - Ego Death At a Bachelorette Party)





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